quinta-feira, 11 de junho de 2009

O amor e a dor



O amor, o mais nobre e valioso sentimento que podemos experimentar, deveria ser fonte apenas de alegria. Entretanto, para um grande número de pessoas ele é, na maior parte das vezes, causa de grande sofrimento.

Quando começa a vivenciar sua afetividade de modo mais amplo, ou seja, fora da esfera da família, o ser humano é colocado diante de muitos desafios, que colocam em teste todos os aspectos de seu ser.

A segurança interior, o amor próprio e a autoconfiança, se foram bem desenvolvidos e estruturados durante o processo de crescimento, permitirão que a relação e a troca com o outro se dê de maneira saudável e natural.

Mas, se isto não aconteceu e a carência de afeto e nutrição interior se estabeleceu, ele passará a procurar no outro alguém que irá preencher o seu vazio interno.

A partir daí, a segurança a respeito de si mesmo dependerá sempre da avaliação exterior, e quando esta aprovação não vem, ele se transforma numa pessoa infeliz, para quem uma perda ou separação se torna uma questão de vida ou morte.

Não são poucas as pessoas que acabam desistindo da vida porque alguém as decepcionou e não lhes deu o amor que elas esperavam receber. Outras continuam vivendo, porém, desenvolvem um medo do relacionamento e acabam por optar pela solidão como defesa contra o sofrimento.

Há, ainda, aquelas que se sujeitam a todo tipo de exploração e abuso emocional, vivenciando relacionamentos doentios pela incapacidade de se verem sozinhas, ainda que a relação de afeto que possuam seja apenas uma ilusão.

Não há possibilidade de se experimentar o amor de forma plena sem que este sentimento seja direcionado antes de tudo para si mesmo. Aquele que não se ama, nem consegue enxergar em si qualidades positivas, certamente dependerá de forma absoluta da aceitação do mundo exterior.

Quando se valoriza, a pessoa busca no outro uma parceria saudável, com quem pode compartilhar a vida em todas as suas dimensões, mas sem apego e dependência doentios. Esta é a única possibilidade de que o amor se transforme em fonte de alegria e não em motivo de angústia e dor.

" A Constante Aventura do Amor
Essa é a alegria do amor: a exploração da consciência. Se você se relaciona, e não reduz isso a um relacionamento, então, o outro tornar-se-á um espelho para você. Descobrindo o outro, você estará descobrindo a si mesmo também. Aprofundando-se no outro, conhecendo seus sentimentos, seus pensamentos, seus mais profundos movimentos, você estará conhecendo suas mais profundas agitações também.

... Relacionem-se... Prossigam procurando, buscando um ao outro, encontrando novas maneiras de amar um ao outro, encontrando novas maneiras de estar um com o outro. E cada pessoa é um mistério tão infinito, inexaurível, insondável, que jamais será possível que você possa dizer, "eu a conheci", ou, "eu o conheci". No máximo você pode dizer, "eu tentei o melhor que pude, mas o mistério permanece um mistério".

Na verdade, quanto mais você conhece, mais o outro se torna misterioso. Desse modo, o amor é uma aventura constante".

Osho: The Book of Wisdom

Acreditando no impossível



William Blake diz em um de seus textos: "tudo aquilo que hoje é uma realidade, antes era apenas parte de um sonho impossível". E por causa disso temos hoje o avião, os vôos espaciais, o computador em que neste momento escrevo a coluna, etc.

Em sua famosa obra-prima "Alice através do espelho" há um diálogo entre o personagem principal e a rainha, que acabara de contar algo extraordinário.

"Não posso acreditar", diz Alice.

"Não pode?", a rainha repete com um ar triste. "Tente de novo: respire fundo, feche seus olhos, e acredite".

Alice ri: "Não adianta tentar. Só tolos acham que coisas impossíveis podem acontecer".

"Acho que o que lhe está faltando é um pouco de prática", responde a rainha.

"Quando eu tinha sua idade, eu treinava pelo menos meia-hora por dia. Logo depois do café da manhã, fazia o possível para imaginar cinco ou seis coisas inacreditáveis que poderiam cruzar meu caminho, e hoje vejo que a maior parte das coisas que imaginei se tornaram realidade. Inclusive, eu me tornei rainha por causa disso".

A vida nos pede constantemente: "acredite!".

Acreditar que um milagre pode acontecer a qualquer momento é necessário para nossa alegria, mas também para nossa proteção ou para justificar a nossa existência.

No mundo de hoje, muita gente julga impossível acabar com a miséria, ter uma sociedade justa, diminuir a tensão religiosa que parece crescer a cada dia.

A maior parte das pessoas evita a luta sob os mais diversos pretextos: conformismo, maturidade, senso de ridículo, sensação de impotência. Vemos a injustiça sendo feita a nosso próximo, e ficamos calados. "Não vou me meter à toa em brigas", é a explicação.

Isto é uma atitude covarde. Quem percorre um caminho espiritual, carrega consigo um código de honra a ser cumprido; a voz que clama contra o que está errado é sempre ouvida por Deus.


De Paulo Coelho

Como a cidade foi pacificada



Conta uma velha lenda que determinada cidade, nas montanhas dos Pirineus, era um verdadeiro reduto de traficantes, contrabandistas, e exilados. O pior destes criminosos, um árabe chamado Ahab foi convertido por um monge local, Savin, e resolveu que aquela situação não podia continuar assim.

Como era temido por todos, mas não queria mais usar sua reputação de mau para atingir seu intento, momento algum ele tentou convencer alguém. Já que conhecia a natureza dos homens; iam confundir honestidade com fraqueza, e logo seu poder seria colocado em dúvida.

O que fez foi chamar alguns carpinteiros de uma aldeia vizinha, dar-lhes um papel com um desenho, e mandar que construíssem algo no lugar onde hoje está a cruz que domina o povoado. Dia e noite, durante dez dias, os habitantes da cidade ouviram o barulho de martelos, viam homens serrando peças de madeira, fazendo encaixes, colocando parafusos.

No final de dez dias, o gigantesco quebra-cabeça foi montado no meio da praça, e coberto com um pano. Ahab chamou todos os habitantes para que presenciassem a inauguração do monumento.

Solenemente, sem qualquer discurso, ele retirou o pano.

Era uma forca.

Com corda, alçapão e tudo. Novinha, coberta com cera de abelha, de modo que pudesse resistir durante muito tempo às intempéries. Aproveitando a multidão aglomerada ali, Ahab leu uma série de leis que protegiam os agricultores, incentivavam a criação de gado, premiavam quem trouxesse novos negócios para a região, acrescentando que dali por diante teriam que arranjar um trabalho honesto ou mudar-se para outra cidade. Não mencionou uma vez sequer o "monumento" que acabara de inaugurar; Ahab era um homem que não acreditava em ameaças.

No final do encontro, vários grupos se formaram; a maioria achava que Ahab tinha sido enganado pelo santo, já não tinha a mesma coragem de antes, era preciso matá-lo. Nos dias que se seguiram, muitos planos foram feitos com esse objetivo. Mas todos eram obrigados a contemplar aquela forca no meio da praça, e se perguntavam: o que ela está fazendo ali? Será que foi montada para matar os que não aceitarem as novas leis? Quem está do lado de Ahab, e quem não está? Temos espiões em nosso meio?

A forca olhava os homens, e os homens olhavam a forca. Pouco a pouco, a coragem inicial dos rebeldes foi dando lugar ao medo; todos conheciam a fama de Ahab, sabiam que ele era implacável em suas decisões. Algumas pessoas abandonaram a cidade, outras resolveram experimentar os novos trabalhos sugeridos, simplesmente porque não tinham para onde ir, ou por causa da sombra daquele instrumento de morte no meio da praça. Tempos depois, o local estava em paz, tornara-se um grande centro comercial da fronteira, começou a exportar a melhor lã e produzir trigo de primeira qualidade.

A forca ficou lá durante dez anos. A madeira resistia bem, mas periodicamente a corda era trocada por uma nova. Nunca foi usada. Nunca Ahab disse uma palavra sequer sobre ela. Bastou sua imagem para mudar a coragem em medo, a confiança em suspeita, histórias de valentia em sussurros de aceitação. No final de dez anos, quando a lei finalmente imperava em Viscos, Ahab mandou destruí-la e construir uma cruz em seu lugar.

Kazantzakis e Deus

Durante toda a sua vida, o autor grego Nikos Kazantzakis (Zorba, A Ultima Tentação de Cristo) foi um homem absolutamente coerente. Embora abordasse temas religiosos em muitos de seus livros – como uma excelente biografia de São Francisco de Assis – sempre considerou a si mesmo como um ateu convicto. Pois é deste ateu convicto, uma das mais belas definições de Deus que eu conheço:

"Nos olhamos com perplexidade a parte mais alta da espiral de força que governa o Universo. E a chamamos de Deus. Poderíamos dar qualquer outro nome: Abismo, Mistério, Escuridão Absoluta, Luz Total, Matéria, Espírito, Suprema Esperança, Supremo Desespero, Silêncio. Mas nós a chamamos de Deus, porque só este nome - por razões misteriosas – é capaz de sacudir com vigor o nosso coração. E, não resta dúvida, esta sacudida é absolutamente indispensável para permitir o contacto com as emoções básicas do ser humano, que sempre estão além de qualquer explicação ou lógica."

Ben Abuyah e o aprendizado

O rabino Elisha Ben Abuyah costumava dizer:

"Aqueles que estão abertos às lições da vida, e que não se alimentam de preconceitos, são como uma folha em branco, onde Deus escreve suas palavras com a tinta divina."

"Aqueles que estão sempre olhando o mundo com cinismo e preconceito, são como uma folha já escrita, onde não cabem novas palavras."

"Não se preocupe com o que já sabe, ou com o que ignora. Não pense no passado nem no futuro, apenas deixe que as mãos divinas tracem, a cada dia, as surpresas do presente".


A natureza Geminiana



O Sol está no signo de Gêmeos. Terceiro signo da roda zodiacal, pertence ao elemento AR e tem a qualidade mutável. Seu planeta regente é Mercúrio. Representamos o signo pelo numero II romano, para mostrar a sua natureza dupla e multiplicadora.
A curiosidade dos geminianos é notória e quem conhece um pouco de astrologia logo nota na vivacidade do olhar, nos gestos fáceis e ágeis, na vivacidade da expressão, uma pessoa que pertence a este signo. É verdade que basta ter o planeta Mercúrio em evidência no mapa natal, como possuí-lo no Ascendente ou em bom aspecto com o Sol, para expressar essa natureza geminiana.

O terceiro signo do zodíaco representa a fase da vida em que a criança começa a descobrir o mundo que a rodeia. Ela abre os olhos para algo que a atrai, um objeto, uma cor viva, um som, o sorriso da mãe. Assim, aos poucos, ela desenvolve os cinco sentidos. Aprende a reconhecer o sabor dos alimentos, estende os bracinhos para ser pega no colo, balbucia as primeiras sílabas e começa a dar os primeiros passos para descobrir algo que está muito além de seu bercinho. Por essa razão os pediatras e psicólogos aconselham os pais a oferecerem muitos estímulos ao bebê nos primeiros anos de vida! Um bebê sem estímulo terá poucas oportunidades para desenvolver todo o seu potencial intelectual e criativo. No entanto, o excesso de estímulo, como aquele que acontece atualmente em nossas grandes cidades onde temos acesso fácil à informação através dos meios de comunicação rápidos como a internet, onde existe um excesso de barulho ou de outdoors, pode ser prejudicial ao desenvolvimento equilibrado do cérebro da criança.

Uma criança que fique horas na frente da TV, ou jogando vídeogames não obterá uma motivação adequada e equilibrada e sofrerá prematuramente de estresse físico e mental. No entanto, é também verdade que o geminiano tem a habilidade natural para fazer muitas coisas ao mesmo tempo, para assimilar facilmente conceitos e informações, prestar atenção na TV, na conversa na cozinha, no passarinho que voa lá fora e que ele vê rapidamente pela janela. Essa é a natureza geminiana. Porém, fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode significar não fazer nenhuma até o fim! Pois é, uma das coisas mais difíceis para o geminiano é manter-se focalizado num só assunto e segui-lo até o fim.

Os signos de ar são naturalmente intelectuais, porém o signo de Gêmeos é astrologicamente aquele que tem a natureza do 'vento primaveril', é o mais volátil de todos. Quem conhece um pouco as estações do hemisfério norte sabe a que me refiro. Na primavera, um dia faz calor e um dia faz frio, chove e faz sol no mesmo dia, e o vento (ah, esse vento brincalhão!) está sempre presente a levantar saias e despentear as cabeleiras, fazer voar os chapéus ou os panos estendidos! Aqui no hemisfério sul, este período corresponde ao outono que também é uma estação de mudança, e nos presenteia com dias frios e outros quentes, dias secos e outros úmidos e chuvosos, dias ventosos e instáveis!

Nada é estável neste mês de Gêmeos. A natureza geminiana não é estável. Eu costumo compará-la a uma bandeira esvoaçante ou a uma biruta de aeroporto, aquela que indica a direção do vento. Nos barcos à vela, coloca-se um pequeno fio colorido amarrado ao mastro para ajudar o marinheiro a reconhecer a direção do vento e, desta feita, armar a vela na boa direção e seguir o rumo. A energia deste mês pode ser benéfica ou maléfica, você escolhe como usá-la e conseguir seguir o seu rumo na direção certa. Se você souber canalizá-la poderá conseguir neste mês muito mais do que em todos os outros meses do ano! Poderá fazer contatos, adiantar projetos, tocar mais de um assunto ao mesmo tempo, tudo com extrema facilidade. No entanto, você também pode desperdiçar as energias, dispersando-as, como sementes ao vento ou até perdendo o rumo. Deste modo, não saberá se elas irão dar frutos. Você pode tocar várias coisas ao mesmo tempo, ler vários livros, iniciar vários projetos e... não terminar nenhum! Você estará desperdiçando suas energias e não usará corretamente a Luz que o Cosmos lhe fornece gratuitamente.

Lembremos que na mitologia greco-romana, Mercúrio era o mensageiro dos deuses. O mensageiro leva e traz informações. Faz comércio, compra e vende coisas, faz trocas. Mas como faremos tudo isso se não terminamos aquilo que começamos? Como podemos fazer nosso papel corretamente se deixamos inacabados nossos projetos? Eu costumo pensar que o desperdício é um pecado, pois priva os outros de algo que nós estamos jogando fora. Por essa razão, procuro sempre compartilhar, passar adiante um pouco daquilo que aprendo, assim como passo adiante aquilo que eu não uso mais. Se Deus me deu um dom não devo desperdiçá-lo. A natureza volátil de Gêmeos me parece, usando uma metáfora, como uma borboleta que vai de flor em flor, sugando o açúcar e ao mesmo tempo transportando o pólen fertilizador. Talvez ela não esteja consciente desse seu papel polinizador, mas Deus a dotou desse dom e ela o cumpre, instintivamente. Nós, seres dotados de razão (às vezes eu chego a duvidar!) podemos fazer nosso papel voluntariamente e de forma consciente.

Enquanto o Sol permanecer no signo de Gêmeos devemos procurar dentro de nós uma habilidade, um dom, um conhecimento e compartilhá-lo com outra pessoa. Eu mesma sou uma pessoa 'multi-tarefas' e preciso fazer um enorme esforço para terminar aquilo que inicio. Leio muitos livros ao mesmo tempo, ouço todas as notícias, estou sempre informada sobre tudo o que acontece, me comunico facilmente e aprendo tudo com a mesma facilidade. Com sabedoria (e com o amadurecimento próprio da idade), procuro fazer um esforço para ser mais organizada, terminar minhas tarefas, canalizar minhas ações num foco determinado. E procuro ler, estudar, me instruir sempre e continuamente e, sobretudo, procuro de modo constante utilizar meu conhecimento não somente em meu próprio benefício, mas no dos outros. Humildemente, agradeço a Deus por esse 'bom Mercúrio' que Ele me deu e procuro transmitir meu aprendizado como um simples e humilde veículo de Luz. E agradeço a vocês, caros leitores, que com seus e-mails, com seus relatos de vida, me oferecem a ocasião de compartilhar e enriquecer ainda mais meu conhecimento todos os dias.

O conselho da semana nos é fornecido pelas três letras que compõem o nome de DANIEL, o gênio cabalístico de nº 50. O salmo de oração é o de nº 102. Vamos pedir que Ele nos ajude a descobrir nossos dons, manter o foco em nossas ações e, principalmente, que nos ajude a despertar a paciência e a perseverança para terminar nossas tarefas alcançando nossas metas.

YUD NUN DALET

Aprenda a divertir - se!!!



Patrícia Casé me disse ao telefone: "estou fazendo esforço para me divertir".

Na hora, a frase me chocou: como forçar uma situação de prazer?

Depois, refletindo sobre o comentário aparentemente contraditório, vi que tinha uma certa razão. Somos rigorosos com o trabalho que envolve nossos sonhos. Mas nos deixamos levar por isto, e perdemos as pequenas distrações que dão sabor à vida.

As cordas que estão sempre tensas terminam desafinando. Os guerreiros que estão sempre treinando, perdem a espontaneidade na luta.

Então temos que exigir de nós mesmos um pouco de alegria. Não é difícil encontrá-la; está nas pequenas coisas do dia-a-dia.

É preciso fazer um esforço e se divertir, para não deixar que o bom combate vire rotina.


De Paulo Coelho

Insatisfação



Sentir-se insatisfeito com a própria vida é um sentimento que a maioria de nós experimenta ou já experimentou em algum momento. A insatisfação pode ter raízes muito mais profundas e geralmente está relacionada a emoções como a frustração, a mágoa ou uma autoconfiança frágil.

Quando a projetamos em circunstâncias exteriores de nossa vida -como a falta de dinheiro para adquirir algum bem material ou a não realização na área afetiva-, e não olhamos profundamente para nosso interior, a fim de descobrir onde ela se origina, podemos desenvolver um padrão mental de reclamações e queixas que alimenta ainda mais o ressentimento e a infelicidade.

Descobrir a fonte da insatisfação pode nos trazer respostas que a princípio podem não ser fáceis de encarar. Entretanto, olhar com coragem para nossos medos e covardias pode ser útil para enxergarmos as alternativas capazes de nos levar a um estado de realização e plenitude.

A atenção ao padrão usual de pensamentos que nossa mente cultiva é o passo inicial neste processo. Através dele, poderemos perceber até que ponto nos tornamos excessivamente queixosos e incapazes de vislumbrar uma nova maneira de lidar com a vida e seus problemas.

Conseguir dimensionar de modo realista aquilo que nos aborrece e distinguir o que é, de fato, significativo, é uma qualidade essencial para nos libertarmos da insatisfação e não permitir que ela se torne uma doença crônica.

A cura só vem quando colocamos todo o foco sobre as razões de nosso tormento e nos dispomos a realizar tudo o que estiver ao nosso alcance para experimentar uma nova energia.

"UMA MENTE QUEIXOSA, NUNCA ESTÁ EM PAZ

... Não reclame, não se queixe a respeito de nada. Pare de queixar-se por três dias!

Não reclame se a comida está ruim. Não resmungue se os mosquitos picam você à noite.
Por três dias permaneça em total aceitação de tudo o que possa acontecer. Os mosquitos ganharão algo, é claro, mas você ganhará mais, muito mais.
Se a comida não está boa, ela prejudicará um pouco seu corpo, mas prejudicará você muito mais, se queixar a respeito.

E há razões para isto - uma mente queixosa nunca está em paz.
Nossas reclamações são insignificantes, mas o que nós perdemos é muito.
Então, não reclame. Por três dias compreenda claramente que você não reclamará de nada. O que é, é. Da maneira que é, é. Aceite absolutamente.
Então, estes três dias serão maravilhosos.

Se por estes três dias você permanecer acima das questões insignificantes, se você aceitar tudo como é e deleitar-se nisso, então você cessará de ter qualquer queixa para o resto da sua vida - porque, então, você saberá o quão tranquilo e alegre é viver sem lamentações.

Por três dias desista de todas as questões insignificantes!"

OSHO - In Search Of The Miraculous

A Beleza afinal para que serve?



Ninguém consegue ficar indiferente à beleza. Por causa, dela, gastamos dinheiro com roupas, cosméticos e ginástica e viajamos para apreciar as maravilhas da arte e da natureza. Qual será o estranho motivo que atrai nosso olhar para as coisas e as pessoas que achamos belas? Elas são bonitas por si mesmas ou é a cultura que nos leva a vê-las desse modo? A busca de uma resposta mobiliza filósofos e cientistas. (Documentário. "Beleza – harmonia e Perfeição" – Channel Discovery – 1994).

Para se tentar compreender a beleza, imaginemos um mundo sem beleza, sem cor, sem ordem. Esse mundo seria sem vida, sem calor, sem emoção. Nossos cérebros foram programados para ver ordem e beleza no mundo.

Podemos tentar compreender a beleza como sendo a definição de cada pessoa, nós definimos o que ela é, podemos dizer que a beleza está nos olhos de quem a vê. Mas a ciência não vê assim, ela tenta entender por que gostamos do que gostamos? A beleza é o rosto de narciso, aquele que se apaixona por sua própria imagem, é caminho para a percepção e comunicação. É difícil colocar o rosto nas palavras. Nosso cérebro reconhece o rosto, estão afastados aí os mecanismos psicológicos. O que nos faz preferir um rosto a outro? No rosto há informações sobre o indivíduo, se são saudáveis simbolizam: beleza, saúde e simetria (equilíbrio entre o lado direito e esquerdo). A Medição de simetria determina a saúde de um rosto. Avaliamos a beleza por grau de atratividade, a beleza clássica tem simetria, a simetria anuncia saúde física. Alguns animais machos tem simetria, se aprumam, quando chegam perto da fêmea, e vivem mais que os assimétricos, tem mais saúde, pois possuem mais simetria.

O rosto simétrico, tem mais .vantagens, a pessoa é mais bem sucedida. Temos esse modelo simétrico na mente, procuramos simetria na natureza.(nas cachoeiras, no mar, nas montanhas, etc.), e quando não encontramos criamos. Na verdade é como a coisa deve ser. A simetria está em todo o lugar, entrelaçada na natureza.

Buscamos os rostos para ressaltar a simetria nos indivíduos. A economia e a religião tem influência, não é só sentimento. Se você é humano valoriza a beleza, saúde e juventude. A beleza não serve para medir o caráter, é uma característica que nos ajuda no jogo da vida, mas existem outros atributos como a inteligência e o charme, que ofuscam a fórmula, mistérios explicados pela alma faz o corpo ficar bonito.

A elegância da matemática é fundamental para a manutenção da ordem na natureza. Em tudo se encontra a matemática, do micróbio ao homem, existe uma estrutura geométrica. O homem é pura matemática. A matemática explica o perfume das rosas, isso se deve pelo fato da mesma ter a seqüência Fibonati, que é a uma série numérica simples, iniciando com 0 e 1 cada nº 1 da série e a soma dos dois anteriores, essa seqüência também se encontra na reprodução dos coelhos, o número de coelhos existindo ao longo dos meses, reproduz a seqüência Fibonatti. Em algumas plantas podemos encontrar a seqüência Fibonatti ,os galhos vão crescendo um acima do outro do nº 1 ao nº 8.

Nas coisas belas está escondida uma equação, desde bebê nosso cérebro é programado para perceber a beleza particular, podemos desde a infância definir nossos padrões. A beleza da natureza é um equilíbrio entre a ordem e o caos. A ciência descobriu os Fractais, que é um objeto geométrico que pode ser dividido em partes, cada uma das quais semelhante ao objeto original. significa que cada uma das partes reflete o todo, incluem elementos repetitivos. Essas estruturas geométricas são de grande complexidade e beleza, a imagem fractal, é gerada por computador a partir de uma fórmula matemática. Fórmula simples, mas processadas milhares de vezes e coloridas, dão origem a fantásticas refletem o mundo, criado no computador.

Até a desordem gera padrões, os padrões emergem do caos, são estruturas que trazemos dentro de nós quando nascemos, padrões que fazem com que a natureza se mantenha viva. Nós somos o caos, nosso interior é o caos. Os índios Navajos tecem seus tapetes com os desenhos simétricos criados por eles. Os Navajos, acreditam que através desses desenhos matemáticos possam experimentar a ordem do mundo, pois o ser humano já tem isso dentro de si precisa se harmonizar para encontrar o equilíbrio. O padrão de vida de cada pessoa reflete sua beleza do mundo. "beleza é a medida do homem".

Construir é essencial para expressão da humanidade, criação é a esperança diante do mundo, os edifícios suntuosos prestam um tributo a beleza. Padrões é a matemática da natureza, que geram nossos projetos quando nos propomos a realizá-los. Existe uma proporção áurea = 1,61803398. Os Pitagóricos (escola grega – séc. VI e V a.C.), estudaram as relações dos números com a natureza, arte e música. A uma dessas relações mais importantes que encontraram deram o nome de razão áurea ou razão divina. O número de ouro é um número irracional, misterioso e enigmático que surge em vários elementos da natureza .

Aristóteles e os arquitetos usaram a proporção áurea em suas criações. O Parthenon e a Catedral de Notre Dame foram construídas com o número áureo, e Michelangelo utilizava também esse número.

Também existe matemática no corpo humano, se substituir as proporções do corpo humano pelo número sagrado, as medidas vão se revelar as mesmas, podemos observar o "homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. Encontramos arquitetos no planeta, o pássaro azul constrói seu ninho, projetamos imagens naquilo que construímos.

A beleza também é matemática da música. Pode ser invisível, mas existem padrões no ar que fazem nossos espíritos se elevarem. Para Pitágoras o som dissonante não é feito no intervalo exato. Nosso senso estético é materialista no mundo. A relação entre estrutura e sons é essencial para criação da beleza do homem.

Beleza, é a ciência que diz, que até certo ponto pode revelar nosso rosto (simétrico), na natureza surge um padrão interno, a natureza pode criar olhos belos. É uma propriedade real e objetiva do universo, e o processo de perceber o universo é reforçar esse padrão existente em nós. A beleza é ao mesmo tempo, objeto e observador, é a consciência do homem em seu mundo.

Miriam Cristina


quarta-feira, 3 de junho de 2009

AROMAS

É LOUCURA


É loucura...


Odiar todas as rosas porque uma te picou...


Enterrar todos os teus sonhos porque um não se realizou...


Desistir de todos os esforços porque um deles fracassou...


Condenar todas as amizades porque uma te traiu...


Não crer em nenhum amor porque um deles te foi infiel...


Deitar fora todas as oportunidades de ser feliz porque uma tentativa não deu certo...


Espero que na tua passagem pela vida não cometas nenhuma destas loucuras.


Lembra-te que, em tudo na vida, há sempre uma outra oportunidade!

SERIA TÃO DIFERENTE...



Seria tão diferente se os sonhos que a gente gosta não terminassem tão de repente...


Seria tão diferente se os bons momentos da vida durassem eternamente...


Seria tão diferente se a gente de quem nós gostamos gostasse um pouco de nós também...


Seria tão diferente se quando chorássemos fosse sò de alegria...


Seria tão diferente se a gente que nós amamos sentisse o que a gente sente...


Mas...


é tudo tão diferente... !


Os sonhos de que a gente gosta terminam sempre tão depressa...

SERÁ VERDADE?



'Das grandes amizades nascem os verdadeiros amores.'



Será que pode ser verdade?

terça-feira, 2 de junho de 2009

OLHEM PARA CIMA


O ser humano, tal como vem à terra, é um ser frágil e indefeso. Necessita de protecção, atenção, necessita de saber que é amado, que é compreendido. Tudo isso são coisas que podemos dar cá em cima.
Quando vocês vêm cá acima é isto que procuram, este sentimento de protecção, esta certeza de que há, algures, alguém que cuida de vós como se fossem filhos. Adorados filhos, sem mácula.

A vossa procura é legítima e tem razão de ser. É o que estamos cá para fazer. É o que desejamos fazer. Estamos prontos para isso. Estamos ansiosos por isso. Mas para isso é preciso terem fé. Acreditarem que podemos fazê-lo. Acreditarem que são únicos, especiais e amados por tudo o que são. Pelas tentativas e pelas falhas. Pela coragem e, às vezes, pela cobardia.

É preciso que venham cá acima. Que se conectem, que abram o vosso coração no sentido de receber paz. E amor incondicional. Esse amor de que é feito o céu e que está livre para ser dado aos homens. Aos homens de boa vontade.

A família, os amigos, enfim, os outros não podem amar incondicionalmente, esse é um atributo do céu. Amam, mas com um amor condicionado, pois vocês aí em baixo são espelhos uns dos outros, e a tendência é exigir que o outro seja aquilo que tu esperas dele, isto é, aquilo que gostarias de ser.
Um amor altamente condicionado, portanto.

Olhem para cima. Venham buscar protecção. Parem de exigir dos outros o que eles não podem dar, por ser sagrado. Por ser divino.

A Alma Iluminada, Alexandra Solnado

terça-feira, 26 de maio de 2009

Meditação Angelical


A prática da meditação é de um valor incalculável para todos aqueles que desejam avançar pelo caminho espiritual, pois ao aquietar nossa natureza inferior, nos permite manifestar os níveis superiores do nosso ser, os mesmos que nos comunicam e nos unificam com os planos mais elevados da existência, com os Anjos e com Deus.

O ideal é dispor de um lugar onde ninguém e nada nos incomode, um cantinho sagrado onde nosso espírito possa recolher-se em paz, isolado o máximo possível do mundo exterior.

Na verdadeira meditação , a atividade mental se reduz a níveis mínimos. Trata-se simplesmente de sentar sem fazer nada. É deixar a mente em branco, observando calmamente nossos movimentos, com atenção, mas sem interferir neles. Idéias e imagens virão a nossa mente, e do mesmo modo partirão para deixar lugar a outras. Não devemos nos preocupar com elas, pois a mente é como um espelho. Seu trabalho é refletir imagens, porém nós não somos essas imagens. Tampouco somos a mente. Esta é tão somente um instrumento do qual devemos nos servir. A meditação limpa esse espelho e afina esse instrumento, para que, por intermédio dele, possamos alcançar o mais elevado, possamos chegar à consciência do nosso Ser real, da unidade de todas as coisas, de Deus.

Meditar não é pensar, não é imaginar e não é visualizar. Todas essas atividades são úteis e cumprem uma função insubstituível no caminho espiritual, mas não são consideradas meditações.

Os Anjos conhecem a importância da meditação e por ela estão dispostos a nos ajudar. Os sete tópicos seguintes podem ser utilizados como guias:

1. Adaptar o ambiente. Reduzir a luz, talvez acendendo uma vela e um incenso, se sentimos que ele pode nos ajudar.

2. Sentarmos comodamente. Com as costas eretas, os pés descansando no chão e as mãos colocadas sobre as coxas.

3. Fazer um pedido mental aos Anjos, nosso irmãos mais velhos, para que nos protejam e nos ajudem na meditação que vamos iniciar. Esse pedido não pode ser verbalizado nem mentalmente. Um rápido pensamento será suficiente. Em seguida podemos visualizar os Anjos fazendo, com suas asas, um arco sobre nossa cabeça, envolvendo-nos totalmente, e formando uma verdadeira cadeia protetora sobre nós, pela frente, por trás, pelos lados e por baixo. Ao mesmo tempo, visualizamos os Anjos invocando à Luz que do alto desça até nós.

4. Uma vez estabelecida essa proteção angelical, devemos nos esquecer dela e nos concentrar, por um breve momento, outra vez em nossa respiração. Devemos contar sete ou nove ciclos respiratórios completos. Não é preciso tentar respirar de nenhum modo especial, não devemos fazer nada, apenas deixar que a respiração flua naturalmente.

5. Esse não fazer nada já significa estar meditando. Algumas pessoas obtêm bons resultados quando fixam mentalmente em algum ponto, mas na realidade, não precisamos fixar em absolutamente nada.

6. Quando sentirmos que o tempo se esgotou, voltamos a ficar conscientes do processo respiratório. Em seguida, devemos agradecer mentalmente aos Anjos por sua ajuda e proteção, e, em troca, oferecer-lhes nossa ajuda quando eles desejarem. A seguir moveremos ligeiramente os dedos dos pés, depois os das mãos, para finalmente podermos abrir os olhos dando a sessão por encerrada.

Os Anjos conhecem a importância da meditação e estarão sempre prontos a nos ajudar na sua realização. E aqueles que nos tenham auxiliado e protegido na primeira vez estarão ansiosos por fazê-lo de novo, estabelecendo com isso, entre eles e nós, uma relação muito forte, uma espécie de sociedade ou de espírito de equipe.

É a "Fraternidade dos Anjos e dos Homens".


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Dê um bom exemplo


Sabe aquelas frase: 'Faça o que eu digo e não o que eu faço'?

Quantas pessoas se autonomeiam bons cidadãos e depois jogam lixo pela janela do carro? Vemos isso todos os dias.
E os pais que dizem aos filhos que não se deve roubar, ao mesmo tempo em que sonegam impostos ou roubam seu sócio e ainda se gabam do fato? Pois essa semana queria refletir sobre nossas acções reais.


Quantos de nós se levantam de manhã e pensam realmente que suas acções farão a diferença? E você, que se encontra no caminho da espiritualidade, levanta cada manhã e pensa que aquilo que você faz hoje, a forma como você pensa ou trata as outras pessoas, seu exemplo de comportamento terá um impacto no mundo inteiro? Puxa, quantas perguntas!


O Sol está entrando no signo de Gêmeos que é um signo relacionado com a razão, a forma de pensar e de comunicar. Terceiro signo do Zodíaco, Gêmeos é regido pelo planeta Mercúrio, o Deus grego que tinha asas nos pés e uma habilidade ímpar. Ele é retratado com um caduceu nas mãos, aquele bastão com uma cobra enrolada que no Arcano nº 1 do Tarô se relaciona com o Mago, com o Conhecimento. O Mago representa o conhecimento, mas também principalmente a curiosidade e a vontade de aprender. Uma mente ágil e receptiva consegue fazer rapidamente uso do conhecimento teórico para colocá-lo em pratica nas ações diárias.


A criança, no seu terceiro estágio de vida após o nascimento (Áries) e a nutrição (Touro), inicia a interagir com o mundo à sua volta. Esta é a fase geminiana que coincide com o aprendizado das primeiras palavras, com a mobilidade dos olhos atraídos pelo objeto brilhante e móvel que gira sobre o berço. Somente as criaturas autistas têm uma ruptura nesta fase do desenvolvimento: eles não interagem com o mundo exterior e têm dificuldade de efetivar essa conexão física com o mundo exterior. Provavelmente um Mercúrio sem aspectos ou em posição difícil no seu mapa poderia explicar esse defeito, mas seria necessária uma pesquisa séria para fazer tal afirmação pois muitos seriam os componentes a serem examinados, inclusive o carma particular.


Mas voltando à nossa questão: de que adianta o conhecimento se não temos a sabedoria e não colocamos em prática nosso conhecimento em nossas acções? Estou falando do conhecimento espiritual, do conhecimento que procuramos compartilhar com vocês.


Eu imagino como seria se um dia levantássemos de manhã e começássemos, desde o primeiro bom dia, a espalhar simpatia, amor, carinho, sorrisos para todo lado! Eu imagino que isso seria capaz de contagiar pouco a pouco as outras pessoas à minha volta e que essas acções iriam se espalhando cada vez mais assim como o vento. Em pouco tempo, outras pessoas seguiriam seu exemplo, espalhando bom humor, alegria, sorriso e simpatia e isso faria uma grande diferença, não acha? Pois é uma boa idéia, mas difícil de pôr em prática. Costumamos ficar de mal-humor se a água do banho não está quente como gostaríamos, se a torrada está tostada demais, e esbravejamos com nosso vizinho que estacionou o seu carro na vaga ao lado e nos impede de sair tão rapidamente como gostaríamos, já que estamos atrasados como sempre.


Xingamos aquele que nos corta o caminho e não respeitamos nem as vagas prioritárias se vamos ao shopping (considerando-
nos espertos) e somos capazes de perder a paciência com a moça do caixa que está demorando para nos atender! Quando agimos assim estamos sob o domínio de nossos impulsos mais primitivos, exibimos o nosso pior lado. Não aquele da sabedoria de Hermes (nome grego de Mercúrio), mas aquele do animal que vive dentro de nós. Deste modo contribuímos para fazer de nosso planeta um lugar de selvagens e não um lugar agradável para se viver.


Mercúrio, segundo a astrologia, indica que tipo de inteligência e discernimento nós temos, como pensamos, como raciocinamos. Porém podemos ser inteligentes e usar esse potencial para o bem ou para o mal. A mesma inteligência pode ser usada para ludibriar, enganar, caluniar, fofocar e até a roubar. O astrólogo que vê Mercúrio retrogrado ou mal aspectado num mapa de uma pessoa, perceberá logo que quem está à sua frente é passível de ter problemas de raciocínio, de não conseguir expressar claramente seus pensamentos, tendo dificuldade de comunicar-se de forma clara. A pessoa pode ser experta para enganar outra pessoa, ou pode ser experta para sobreviver. Pessoas expertas e inteligentes não são necessariamente cultas e instruídas, mas sobrevivem.


Animais também possuem uma inteligência rudimentar capaz de fazê-los encontrar os meios de sobreviver. Eles até se comunicam, com sons ou gestos para serem compreendidos. Mas nós, não podemos usar nossa capacidade intelectual somente para sobreviver. Por essa razão e aproveitando as energias do mês de Gêmeos, devemos procurar ser bons exemplos com acções que façam a diferença.
Tendo em mente que nós, pequenos ser pensantes, somos parte da grande mente do Criador, tomamos consciência de que nosso comportamento pode contagiar quem encontramos pelo caminho. Lembre-se da Primeira Lei Hermética: Deus é mente, o universo é mental. Deus, o criador, o Todo, é mente e nós somos mente, feitos à Sua imagem e semelhança. Devemos, portanto, não somente escolher cada pensamento e cada palavra, mas também cada acto que faremos em nosso dia. Controlar os instintos e agir com carinho e compaixão a cada instante do dia é difícil, certamente, mas possível, não é?

Vamos tentar então? Se não fizermos um esforço não conseguiremos e de nada adiantará estudar, ler e se debruçar sobre tantos artigos e livros esotéricos! De nada adiantará estarmos em busca da espiritualidade: Saber não é fazer.


Essa semana e nas próximas, podemos procurar praticar boas ações, ter bom comportamento, agir com compaixão, servindo de exemplo para aqueles que nos rodeiam. Saiba fornecer um bom exemplo com suas próprias acções e deixe que o cosmos faça o restante!


Uma energia que pode nos ajudar a praticar é a energia do Gênio Cabalístico (Anjo) de nº 37, ANIEL, cujo salmo de oração é o de nº 79. Ele estimula a sabedoria e nos integra ao Todo.

As letras que compõem o nome de ANIEL são estas. Elas podem ser escaneadas com os olhos e integradas à nossa meditação.


YUD NUN ALEPH

Ler da direita para a esquerda
37. A visão do conjunto


Que a Sabedoria guie vossas ações essa semana e sempre!

A IGNORÂNCIA


A ignorância é um pé de uma árvore de fruto. Começa calada, pequena, subtil. Aos poucos vai crescendo, ganhando forma, vai ficando forte, cheia de raízes. Vai crescendo cada vez mais. Vai ficando cada vez mais forte e prepotente. Depois de algum tempo, começa a reproduzir-se. Nascem frutos da ignorância cujas sementes por sua vez serão plantadas em novas cabeças incautas.


A ignorância tem sido responsável por guerras e aniquilações, por discórdias e penosos processos de difamação. A ignorância é forte. A ignorância é fértil. Em seu nome a Humanidade pára. Verga-se a ela. Imobilizada para a evolução e para o conhecimento, travada por conceitos imbecis e desconexos, a humanidade anda hoje à mercê da lei do mais forte.


A cultura, a erudição, a experiência, a sensibilidade e o atrevimento são hoje mal vistos, pois apenas impera uma rainha flácida e choca, que não tem vértebras nem músculos, que nada sabe nem quer saber. Não sai da sua mesmice e contradiz tudo o que avança. Essa senhora imposta, pomposa e bárbara tem um nome. Tem uma cara. Manda em tudo. Em quase tudo. Chama-se ignorância e abafa tudo o que vê à frente. Essa senhora ouve mal, vê mal, mas ainda acha que é a dona do castelo. Brada aos céus na sua loucura.


A ignorância tende a desfazer-se com a elevação espiritual. Mas o mais grave da ignorância é o facto de quem a tem se julgar elevado. Assim, ficamos aqui à espera que essas pessoas se cruzem com seres de luz, e que os seus corações empedernidos se dignem, nem que seja por um instante, a sentir, a viver a experiência da elevação.


Essa é a boa notícia: um instante de elevação anula séculos de ignorância. Por isso é que te peço para não desistires. Divulga a mensagem, leva-me onde fores, estarei perto de ti, para que me sintam e vejam. Vamos tentar anular um pouco da ignorância do mundo através de palavras iluminadas e da energia do céu. O amor incondicional pode tudo, até lutar contra a ignorância.


"Este Jesus Cristo Que Vos Fala 2/ A Lógica do Céu e a Lógica da Terra",

Alexandra Solnado

O SEGREDO DA VIDA



Para conhecer o segredo da vida tens de ouvir o teu interior e aceitar as tuas limitações. Só avanças com alguma coisa quando sentires um impulso muito forte para o fazer – não porque o teu ego assim o quer para te afirmares ou teres mais poder, mas porque essa acção te preenche, te faz feliz.


Este é o segredo da vida: conhecer as minhas energias e respeitá-las, deixando de ficar à mercê dos desejos do ego, que pretendem sempre mostrar aos outros o quão fantástica uma pessoa é. Mesmo que não acredites nisso basta-te que o outro acredite. Todas as pessoas o fazem. Todas as pessoas querem que os outros sejam o termómetro do que elas próprias gostariam de ser. O outro achando que eu Sou quer dizer que Serei, pensam.


E o que é que acontece? Primeiro, passam a ficar dependentes do que as outras pessoas pensam deles. Vivem para os outros, passam o tempo a gerir a opinião que os outros têm de si. Vivem nas malhas da opinião alheia. Só Sou se disserem que Sou, pensam. Abominam as críticas. Quando alguém diz que são algo que não lhes agrada, acreditam ser verdade e revoltam-se, pois como dependem da opinião alheia, acham Ser isso que não lhes agrada. Para provar que não São, viram-se cada vez mais para fora numa tentativa vã de modificar a opinião que os outros têm sobre si. Fogem cada vez mais do seu interior. Desse interior vazio, escuro, hipersensível e dorido em que se tornou o seu peito.


Segundo, atraem todo o tipo de perdas na matéria. Acidentes, despedimentos, mortes, doenças. Todas as perdas servem para que compreendam que não é fora de si que encontram o seu verdadeiro «eu». Pelo contrário, é dentro, lá no fundo de si próprias, nesse lugar simultaneamente escuro e mágico, portal da sua vida eterna. Ao passar esse portal, encontram-se consigo. Encontram-se com Deus.

Este Jesus Cristo Que Vos Fala 2/ A Lógica do Céu e a Lógica da Terra,

Alexandra Solnado

sábado, 23 de maio de 2009

Petição pelo Reconhecimento da Psoríase como doença Crónica

Há 250 mil portugueses que sofrem de Psoríase.

É uma doença que não mata nem é contagiosa, mas é para toda a vida.

Aparece quase do nada! A pele fica vermelha, seca, começa a escamar e por vezes gretar. No rosto, no couro cabeludo, nas mãos, nas pernas, nas costas… Chega a atingir mais de 90% do corpo.
Temos ainda a artrite psoriática, que nos deforma as articulações, dá-nos dor e deita-nos numa cama em alguns dos casos.
Incomoda ao olhar. Na verdade, incomoda muito a quem olha mas incomoda muita mais a quem é olhado. Incomoda de tal forma que há doentes que nem querem sair de casa, quando os surtos aparecem. Há doentes que são despedidos. Há doentes que se suicidam. As implicações psicológicas que a Psoríase provoca são tão profundas que a taxa de suicídio dos doentes é anormalmente elevada.

Por não ser mortal nem contagiosa, a Psoríase é uma doença ignorada, vivida com vergonha, escondida pelos doentes e sofrida em silêncio. Apesar de ser uma doença tratada como crónica pelo médicos, vivida como crónica pelo doentes, não é reconhecida como tal pelo SNS.

Muitos são os doentes que agravam substancialmente a sua condição física e psicológica por não terem como aceder aos tratamentos. Os medicamentos tópicos que tratam a Psoríase e que são usados em mais de 70% dos casos, têm uma comparticipação que não ultrapassa os 37%. Se juntarmos a isto, os cremes, loções e champôs que são imprescindíveis para o tratamento da psoríase e não são comparticipados, os encargos com a terapêutica na maioria dos casos rondam os 2.000€ anuais e em alguns casos ultrapassa mesmo os 3.000 .

Aquilo que lhe peço, em nome dos 250 mil portugueses que sofrem de Psoríase, é que nos ajude para, em conjunto, encontrarmos forma de mitigar os efeitos desta doença que não mata nem é contagiosa, mas é para toda vida."

Assine esta Petição - www.peticao.com.pt/psoportugal

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Oração das Mulheres Resolvidas




Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo,
que a fonte nunca seque,
e que a nossa sogra nunca se chame Esperança,
porque Esperança é a última que morre...
Que os nossos homens nunca morram viúvos,
e que os nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!
Que Deus abençoe os homens bonitos,
e os feios se tiver tempo...

Deus...
Eu vos peço sabedoria para entender um homem,
amor para perdoá-lo e paciência pelos seus actos,
porque Deus,
se eu pedir força,
eu bato-lhe até matá-lo.

Um brinde...
Aos que temos,
aos que tivemos e aos que teremos.

Um brinde também aos namorados que nos conquistaram,
aos trouxas que nos perderam,
e aos sortudos que ainda vão conhecer-nos!

Que sempre sobre,
que nunca nos falte,
e que a gente dê conta de todos!
Amén.

P.S.: Os homens são como um bom vinho: todos começam como uvas e é dever da mulher pisá-los e
mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia para o jantar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O MURO DOS BLOQUEIOS E O MURO DO SONHOS




Imagina que estás entre dois muros. Um dos muros representa os teus bloqueios. Os medos e dificuldades que tens em relação às coisas. Esse muro representa as certezas que tens em relação às coisas. Certezas provenientes de pensamentos que não mudam, mesmo depois de observar a realidade. Certezas provenientes da ilusão de que as coisas podem ser como vos dá jeito, para não terem de se confrontar com a realidade. Essa sim. Verdadeira, sem ilusões.

Esse muro é a tua fuga da verdade. Verdade essa que, se parasses de fugir dela, iria levar-te ao desfecho de todos os teus medos e ao início do caminho da abundância. A verdade leva à abundância. Se encarares a verdade, mais cedo ou mais tarde, os bloqueios serão dissipados e a abundância virá. A abundância está para lá do muro.

O outro muro é o muro que a pessoa cria para fugir do bloqueio. É um muro de expectativas, sonhos irrealizáveis, criados para desfocar o outro muro. Quantas pessoas vivem na ilusão de que o seu emprego não é assim tão mau, e na ilusão ainda maior de que um dia serão felizes? Se levares este exemplo para o casamento, para a família e para a sociedade, vais ver quantas pessoas se iludem em relação às conclusões dos acontecimentos com vista a não encarar a sua desintegração. É o muro do sonho. Em vez de se conectar com o seu sonho verdadeiro que é SER, ela vai desviar-se para o sonho de fazer e de ter.

Enfim, o ser humano continua hoje entre estes dois muros, o do bloqueio e o do sonho. E os muros estão cada vez mais apertados. O ser humano está entre eles, esmagado pelo seu próprio ego, que cria os bloqueios e os sonhos (as ilusões). O ser humano não tem muitas mais saídas.

Terá de subir. Ao encarar o muro dos bloqueios, ao aceitar ver e acreditar na realidade, muda o seu sistema de crenças. Passa a crer que tudo pode acontecer, e que não há certezas de nada, pois a matéria é constituída por caos.

Nesse instante, ao acreditar que tudo pode acontecer, entra em comunhão com o Universo, olha para cima e vem a mim. Nenhum muro fica de pé. O acto de ascender é de uma energia tal que toda a densidade cai por terra numa dança de energia final. E o homem ascendeu. E o homem provou que está à altura do seu criador.

A Alma Iluminada, Alexandra Solnado

A ENERGIA ORIGINAL



Só sabendo quem sou posso escolher, fazer as minhas escolhas utilizando o meu livre-arbítrio, sem o receio de que essas escolhas sejam contra a minha natureza e o caminho que vim trilhar na terra. Só respeitando quem sou e escolhendo de acordo, posso ilimitar os meus horizontes, ampliando cada vez mais toda a minha energia original.

Porque só a energia original se amplia. A energia do ego, aquela que acha que devo ser isto ou aquilo por me convir mais sê-lo, essa energia de defesa, de quem vibra pelo medo, não se amplia. Pelo contrário. Reduz, retrocede, remete para segundo plano.

Ser. Ser é a chave da questão. Se sou, se ouço o silêncio que mora em mim, torno-me invencível, pois a força vem de dentro, de uma capacidade que a fé tem de mover todas as montanhas, apenas pelo poder de quem acredita que as montanhas podem voar.

Todos os intermediários da Era de Peixes vos vieram fazer falar, rezar, cantar, «mantrar». Na Era de Peixes o silêncio só servia para servir Deus.
Na Era de Aquário o silêncio vem para servir o homem. Ao ouvir o seu próprio silêncio, o homem toma conta da sua vida na terra e nunca mais erra o caminho.

Como te disse uma vez, o vosso problema é que vocês acham que são o que pensam. Na realidade, vocês só são o que sentem. Quem pensa é o vosso ego e vocês não são o vosso ego. Esse não atravessa os séculos em busca da evolução.

Este Jesus Cristo que Vos Fala, Livro 3/ A Era da Liberdade,
Alexandra Solnado

A SOBREPOSIÇÃO DE ENCARNAÇÕES



A «Sobreposição de Encarnações» é o grande segredo agora revelado.
São energias que trazemos de vidas passadas que nos provocam determinados sintomas ou comportamentos. Vocês trazem uma energia extremamente viva de «lá de trás», que compromete todo o vosso ser actual e que não vos permite contactar com a vossa missão nesta vida.

Vocês só poderão estar inteiros nesta encarnação quando tiverem limpo toda a densidade viva do vosso interior. Essa densidade é proveniente de emoções mal resolvidas noutras vidas, que se mantêm no peito provocando bloqueios emocionais. É uma memória, sem dúvida. Mas o que te quero dizer é que é uma memória viva, que provoca comportamentos densos derivados do medo, e não permite que o ser se conecte com o que há de mais sagrado, que o poderia salvar.

Esse medo é uma emoção que noutra vida não se resolveu, a pessoa não aceitou, não compreendeu. Esse medo, essa densidade vaza de vida para vida, à espera de uma resolução satisfatória. Compreender os medos não chega. Há que retirá-los. Há que compreender o que se passou, mas, principalmente, há que perceber que essas memórias estão vivas dentro das pessoas, só à espera de que algo as despolete, para virem à superfície. Essa memória viva dentro de um ser chama-se «Sobreposição de Encarnações».

Mas imagina que existia uma técnica que conseguia retirar esse medo? Que conseguia limpar essa memória de tal maneira que essa pessoa poderia, enfim, ser quem é, parar de obedecer cegamente e passar a ter uma opinião acerca dos acontecimentos? Imagina uma técnica que retira a densidade de tal maneira que a pessoa não volta a sentir o medo?
Essa técnica é a «Limpeza das Sobreposições».

A Alma Iluminada, Alexandra Solnado

SOBRE OS ANIMAIS



Ao longo de toda a história, os animais foram sempre tratados como uma espécie inferior, mas há um aspecto que vocês não conseguem compreender: a lição que os animais dão ao ser humano.

Os animais matam para comer ou para sobreviver. Não matam por vingança, por inveja ou por partilhas económicas. Os animais cuidam da terra onde vivem, não destroem os seus habitats. Os animais reciclam – basta ver um cão a enterrar um osso para o comer depois–, não desperdiçam, não ostentam – uma formiga nunca leva mais do que consegue carregar. Os animais têm um grande sentido de lealdade, de território e de justiça. Os animais confundem-se com a natureza, vivem dela e para ela. Não destroem. Não violentam. Não desperdiçam.

O ser humano, através do seu ego, tem uma forte necessidade de se mostrar mais poderoso do que os demais. Afirma-se, destruindo. Autonomiza-se, matando. Mostra-se, diminuindo tudo o que o rodeia. O ser humano vive fora de si próprio a tentar encontrar-se. E é nessa tentativa que destrói tudo à sua volta para mostrar que é o mais forte. Ora se algo está realmente dentro de mim, não preciso de mostrar que Sou. Sou e pronto. A vantagem de Ser é a de não precisar de exteriorizar isso, e de continuar apenas Sendo. E quanto mais uma pessoa É, mais age como tal e mais o exterior se apercebe disso.

Os animais não mostram nada, não se afirmam, não destroem para provar que São. São e pronto. Mais nada. É o Ser que os faz tão pacíficos. É claro que há animais violentos, mas isso tem apenas a ver com uma questão de sobrevivência, não com uma atitude destruidora, como a dos seres humanos. O Homem quer Ter, por isso expande a sua ambição, destruindo tudo à sua volta. Os animais querem Ser, tornando tudo menos «performático», mais natural. Aprendam com os animais. Aprendam a simplicidade de Ser.

Este Jesus Cristo Que Vos Fala 2/ A Lógica do Céu e a Lógica da Terra,
Alexandra Solnado

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Memória




Memória
Cecília Meireles

Minha família anda longe
contravos de circunstancias:
uns converteram-se em flores,
outros em pedra, água, líquen,
alguns, de tanta distância,
nem têm vestígios que indiquem
uma certa orientação.

Minha família anda longe,
- Na Terra, na Lua, em Marte -
uns dançando pelos ares,
outros perdidos no chão.

Tão longe, a minha família!
Tão dividida em pedaços!
Um pedaço em cada parte...
Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços...
Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.
vejo lábios, vejo braços,
- por um momento, persigo-os;
de repente os mais exatos,
perdem a sua exatidão.
Se falo, nada responde.
Depois, tudo vira vento,
e nem o meu pensamento
pode compreender por onde
passaram nem onde estão.

Minha família anda longe.
Mas eu sei reconhecê-la:
um cílio dentro do Oceano...
um pulso sobre uma estrela,
uma ruga num caminho
caída como pulseira,
um joelho em cima da espuma,
um movimento sozinho
aparecido na poeira...
Mas tudo vai sem nenhuma
noção de destino humano,
de humana recordação.

Minha família anda longe.
reflete-se em minha vida,
mas não acontece nada:
por mais que eu esteja lembrada,
ela se faz de esquecida:
não há comunicação!
Uns são nuvem, outros lesma...
Vejo as asas, sinto os passos
de meus anjos e palhaços,
numa ambígua trajetória
de que sou o espelho e a história.
Murmuro para mim mesma:
"É tudo imaginação!"

Mas sei que tudo é memória...

Idade Madura




Idade Madura
Carlos Drumond de Andrade

As lições da infância
desaprendidas na idade madura.
Já não quero palavras, nem delas careço.
Tenho todos os elementos
Ao alcance do braço.
Todas as frutas
e consentimentos.
Nenhum desejo débil.
Nem mesmo sinto falta
do que me completa e é quase sempre melancólico.
Estou solto no mundo largo.
Lúcido cavalo
com substância de anjo
circula através de mim.
Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios,
Absorvo epopéia e carne,
bebo tudo,
desfaço tudo,
torno a criar, a esquecer-me:
Durmo agora, recomeço ontem.

De longe, vieram chamar-me.
Havia fogo na mata.
Nada pude fazer,
nem tinha vontade.
Toda a água que possuía
irrigava jardins particulares
De atletas retirados, freiras surdas, funcionários demitidos.

Nisso, vieram os pássaros,
rubros sufocados, sem canto,
e pousaram a esmo.
Todos se transformaram em pedra.
Já não sinto piedade.

Antes de mim outros poetas,
depois de mim outros e outros
estão cantando a morte e a prisão.
Moças fatigadas se entregam, soldados se matam
No centro da cidade vencida.
Resisto e penso
numa terra enfim despojada de plantas inúteis,
num país extraordinariamente, nu e terno,
qualquer coisa de melodioso,
não obstante mudo,
além dos desertos onde passam tropas, dos morros
onde alguém colocou bandeiras com enigmas,
e resolvo embriagar-me.

Já não dirão que estou resignado
e perdi os melhores dias.
Dentro de mim, bem no fundo,
Há reservas colossais de tempo,
Futuro, pós-futuro, pretérito,
Há domingos, regatas, procissões,
Há mitos proletários, condutos subterrâneos,
Janelas em febre, massas da água salgada, meditação e sarcasmo.

Ninguém me fará calar, gritarei sempre
que se abafe um prazer, apontarei os desanimados,
negociarei em voz baixa com os conspiradores,
transmitirei recados que não se ousa dar nem receber,
serei, no circo, o palhaço,
serei, médico, faca de pão, remédio, toalha,
serei bonde, barco, loja de calçados, igreja, enxovia,
serei as coisas mais ordinárias e humanas, e também as excepcionais:
tudo depende da hora
e de certa inclinação feérica,
viva em mim qual um inseto.

Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade
com sua maré de ciências afinal superadas.
Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,
descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não via.

Eles dizem o caminho,
embora também se acovardem
em face a tanta claridade roubada ao tempo.
Mas eu sigo, cada vez menos solitário,
em ruas extremamente dispersas,
transito no canto homem ou da máquina que roda,
aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um número de casa,
e ganho.

Vimos a Lua


Vimos a lua
Cecília Meireles

Vimos a LUA nascer, na tarde clara.
Orvalhavam diamantes, as tranças aéreas das ondas
e as janelas abriam-se para florestas cheias de cigarras.

Vimos também a nuvem nascer no fim do oeste.
Ninguém lhe dava importância.
Parece uma pessoa solta - diziam.
Uma flor desfolhada.

Vimos a lua nascer, na tarde clara.
Subia com seu diadema transparente,
vagarosa, suportando tanta glória.

Mas a nuvem pequena corria veloz pelo céu.
Reuniu exércitos de lã parda,
levantou por todos os lados o alvoroto da sombra.

Quando quisemos outra vez luar,
ouvimos a chuva precipitar-se nas vidraças,
e a floresta debater-se com o vento.

Por detrás das nuvens, porém,
sabíamos que durava, gloriosa e intacta, a Lua.

CARTAS DE GUERRA, de António Lobo Antunes - Parte 3



Manuel Barata

D'este viver aqui neste papel descripto - ensaio


1. As chamadas “cartas de guerra” de António Lobo Antunes, reunidas no volume "D’este viver aqui neste papel descripto", são, também, um poderoso documento sobre a guerra colonial. Embora dirigidas a sua mulher, o autor constrói ao longo dos dois anos de comissão, isto é, entre 7 Janeiro de 1971 e 30 de Janeiro de 1973, através de múltiplas notações, um libelo acusatório contra as abjectas condições a que os homens estavam sujeitos, nos aquartelamentos das zonas de guerra.

2. Porém, o conteúdo destas cartas não se esgota nos valiosos apontamentos sobre a guerra e na profunda relação amorosa com Maria José e ainda com a outra Maria José, a quem, até ao nascimento, chamará muitas vezes o “cafeco”, que significa criança em quimbundo. Através das cartas apreendemos também o mundo de relações do autor e da extrema atenção que presta a todos aqueles com quem se relacionava e com quem se continua a relacionar através da escrita de aerogramas. Todos os familiares lhe conhecem o gosto pela leitura e muitos enviam-lhe livros e revistas. De resto, é até curioso notar que António sugere a Maria José que sugira livros que gostaria de ler, mas que não está disposto a comprar, porque é absolutamente proibido gastar dinheiro. Esta sua natureza poupadinha vai ser motivo de um tópico. Também merecerão destaque neste trabalho testemunhos extraordinários que relevam do ponto de vista da antropologia e ainda impressões sobre arte e literatura.

3. Estamos, pois, em presença de uma obra ímpar, que, apesar dos mil milhões de beijos enviados por António a Maria José, a destinatária, extravasa vastamente a temática amor. Dir-se-ia até, que, expurgadas das fórmulas mais ou menos canónicas dos começos e dos impagáveis modos de terminar, estas cartas são, obviamente, muito mais do que simples cartas de amor. Decidir se este é ou não o primeiro grande romance do autor de memória de elefante, é tarefa que não assumimos neste pequeno e despretensioso estudo.

4. No entanto, não temos nenhum problema em afirmar peremptoriamente, que, doravante, estas cartas terão de ser lidas e relidas, por todos os que vierem a debruçar-se sobre os catorze anos da Guerra Colonial. Pois esta determinou toda a vida portuguesa, quer no rectângulo europeu, onde se procedia à incorporação, treino e mobilização de homens, quer nas chamadas Províncias Ultramarinas, onde se situavam os múltiplos teatros de operações. E marca ainda hoje, volvidos mais de trinta anos, de forma indelével, gerações de portuguesa.

5. Embora sejam o testemunho subjectivo de um indivíduo, jovem médico e aspirante a escritor, as cartas possuem a força das confissões espontâneas. A visão do autor é dada silenciosamente, na puridade dos seus aposentos, como notas de um quotidiano, que, apesar da distância, quer partilhar com a mulher amada. Assim, cremos que estas cartas, primordialmente (?) amorosas, são mais objectivas do que os relatórios militares e as notícias necrológicas, sabendo nós que uns e outros eram vigiados e censurados. Acresce a tudo isto, que, também nós, ainda que em teatros operacionais e época diferentes, cumprimos serviço militar obrigatório, na menina dos olhos dos colonialistas, isto é, em Angola. Não sabendo as surpresas que o tempo ainda nos pode reservar, António Lobo Antunes terá sido, até ao momento presente e através das suas cartas, aquele que, de 1961 a 1975, melhor verbalizou a vivência da Guerra Colonial.

6. “Porque é que vieram interromper-nos tão brutalmente?” A pergunta é formulada na carta de 1.6.71, escrita no Chiúme, Leste de Angola, quando o então alferes miliciano Lobo Antunes, cumpria o serviço Militar obrigatório. É dirigida a Maria José, sua mulher, ainda estudante e grávida de Maria José, a primogénita do casal. O autor estava no fim do mês quinto da sua estada em Angola e Chiúme era já o seu terceiro teatro de operações. Passara anteriormente por Gago Coutinho, onde, apesar de tudo, tinha uma certa vida de relação. No Ninda, conhecera Ernesto Melo Antunes a quem tece rasgados elogios e do qual será amigo para sempre. Chiúme é o buraco dos buracos, o lugar onde a DO chega com menos regularidade e há o célebre P., na messe, que não é, propriamente, um modelo de higiene. É no Chiúme, finalmente, que o autor faz referência explícita, reproduzindo de cor os dois versos finais, à Canção X de Camões. E finalmente, porque essa célebre composição de Camões já andava pressentida há muito, nestas cartas.

7. A pergunta em epígrafe, que admite várias interpretações, podia ter sido formulada por dezenas de milhar de jovens soldados que, num dado momento das suas vidas, viam as suas vidas interrompidas. As interrupções eram múltiplas: as luas-de-mel, os cursos, a aprendizagem de profissões, os namoros, muitos e muitos projectos futuros, no limite, a própria vida. Era tudo tão violento, nomeadamente, para quem já tinha alguma instrução escolar e política. O povoléu, ignaro e obediente, psiquicamente treinado para combater pela Pátria, batia-se, quase sempre, até aos limites da insensatez. Quantas narrativas de actos de grande bravura terão ficado por contar?

7.1. Passados apenas quinze dias e já o jovem alferes, médico de formação, notava que iria “pagar um preço muito caro pela possibilidade de voltar a viver” em Portugal (carta de 31.1.71.). As notações sobre a guerra são agora frequentes. Mais tarde há-de, já calejado e aparentemente mais conformado, poupar Maria José aos relatos horripilantes de mortos, amputados, feridos e desaparecidos. À exaltação inicial, vai opor-se um homem mais ponderado e quiçá mais conformado. “Escrevo-te de manhã, no gabinete da enfermaria, enquanto espero três evacuados” (carta de 10.2.71); porém, e também para terminar este subtópico, aqui ficam mais palavras de Lobo Antunes: “ Dos feridos gravíssimos de ontem – três sujeitos cheios de balas – não há notícias, mas espero que se salvem. Entretanto o morto – o guia – foi abandonado na mata às feras”( carta de 11.2.71).

7.2. A guerra não era apenas operações e mais operações militares e mortos e feridos e evacuados. Daí, a pertinência da observação que segue: “ É incrível a guerra que aqui fazemos, sozinhos e sem meios, contra um inimigo cada vez mais numeroso e bem preparado” (carta de 11.2.71). E onde muitos outros meteram o bedelho, passe o plebeísmo, como nota o futuro autor de As Naus: /.../ o nosso exército prolifera e vive no meio de uma confusão e de uma desordem indescritíveis” e mais à frente: “Chegam hoje os pilotos(17) nos seus pássaros gigantes, e não sei de onde é que estes franceses vêm e por que diabo colaboram nisto” (carta de 15.2.71).

7.3. E apesar da guerra ser uma actividade colectiva, onde acontecem os actos mais bárbaros e as solidariedades mais grandiosas, António sabe que ele e os restantes camaradas de armas, nomeadamente os mais esclarecidos, combatem fora da sua terra e em defesa de uma causa iníqua. Combatem pelos execráveis passadores de angolares por escudos, pelos novos-ricos que vão às festas em Luanda e que tudo fazem para que as suas crias masculinas não conheçam os tenebrosos teatros de operações. Não espanta, pois, esta constatação: “Cada um vive quase somente para si próprio e para as cartas que recebe, preocupado com a própria sobrevivência e mais nada” (carta de 17.3.71). Esta guerra, decididamente, era sentida como algo que era imposto e cujo absurdo as elites iam interiorizando. Não admira, assim, que, no pós-25 de Abril, a situação nunca mais se tivesse estabilizado. Todos os sobreviventes queriam voltar ao verdadeiro solo pátrio e ao seio das suas famílias. Cá, no rectângulo europeu, ficou célebre a palavra de ordem: NEM MAIS UM SOLDADO PARA AS COLÓNIAS!

7.4. Não eram, contudo, os tempos da incorporação e da mobilização, que marcavam o início das angústias familiares. A guerra começava a ser tema obrigatório para os rapazes e respectivas famílias, por altura dos quinze/dezasseis anos. Apesar de tudo, António Lobo Antunes terá iniciado o serviço militar já depois dos vinte e cinco anos, facto que lhe permitiu uma abordagem mais adulta e pontuada por uma imensa discrição. Porém, não deixam de ser dignas de registo as seguintes palavras de António:” O meu instinto conservador e comodista tem evoluído muito, e o ponteiro desloca-se, dia a dia, para a esquerda: não posso continuar a viver como o tenho feito até aqui” (carta de 15.5.71). É curioso notar que o futuro escritor, que se referia aos guerrilheiros por terroristas e que até mantinha uma relação amigável com o responsável da Pide, em Gago Coutinho, há-de deixar cair aquela denominação e esta amizade no esquecimento.

7.5. António Lobo Antunes é filho de uma futura grande família do reino. O pai é médico especialista e de nomeada. O irmão mais velho segue, segundo cremos, as peugadas do pai. António já é médico. E os restantes membros do clã hão-de desempenhar papéis noutras áreas, a saber: advocacia, música e diplomacia, nomeadamente. O nosso mancebo, compreensível mas tardiamente mancebo, vai transmitir, através das suas cartas – as cartas a Maria José -, a sua visão da guerra colonial e das actividades correlativas. A primeira grande nota de uma situação burlesca é dada ainda durante a viagem, na carta de 14.1.71, onde o futuro escritor descreve o ambiente das refeições, no paquete: “ Ao jantar e ao almoço, uma velha oxigenada, com duplo queixo e chinelos, toca piano com uma dificuldade míope, e ao lanche (chá e bolos), servido por uma nuvem de criados, a orquestra «Vera Cruz», qual deles com a melhor pinta de chulo lisboeta, magrinhos, brilhantinados, de olhar maroto, esfolam música de cabaré de putas.” Tendo em conta o puritanismo da sociedade portuguesa do início da década de setenta do século passado, imagine o putativo leitor a cara daquela panóplia de tias e avós, se lessem aquela prosa enérgica e realista de António.

7.6. A guerra é uma fonte de medos por excelência: os actores têm medo de morrer, de ficar estropiados, de ser preteridos no amor, de ser esquecidos por amigos, familiares e até pela mulher amada. Não espanta, assim, que o futuro autor de Cus de Judas , logo na primeira carta, a de 7.1.71, em tom imperativo, mas com patética sinceridade, escreva: “Lembra-te de mim”. De resto, esta fórmula vai ser repetida assim ou modificada em dezenas e dezenas de cartas: “lembra-te de mim, sempre/../”, “ /.../ tem paciência e lembra-te, de quando em quando, de mim”, “/.../ lembra-te de mim, tem saudades minhas e gosta um bocadinho do teu marido desterrado”, “Minha noiva linda, nunca te esqueças de mim”. António teme até – e o seu temor é tão humano!...-, que os outros o esqueçam. Daí esta tão comovente confissão nobreana: /.../ espero que continuem a pensar no António coitado/.../” Nobre, o espantoso poeta do SÓ, há-de ser referido explicitamente em duas das cartas e está presente, implicitamente, em muitas outras. Este António, tal como o poeta, é aquele que está longe da sua terra, das coisas e dos seres que lhe são queridos e que vive, também ele, só e corroído pela saudade, já muito longe da sua “torre de leite”. “92 dias separam-nos. Todas as manhãs desconto um. Vivo desta aritmética da saudade/.../”, escreve na carta de 28.6.71.

8. “Porque é que vieram interromper-nos tão brutalmente?” António casara em Agosto de 1970 e embarcou para Angola em 6 de Janeiro de 1971. O casal, apesar dos meses entretanto decorridos e de Maria José já se encontrar grávida, vivia ainda uma prolongada lua-de-mel. Era um dos efeitos da guerra. Vivia-se o dia presente como se do último se tratasse. A guerra conferia a tudo, e ao amor também, um carácter de urgência. Deixo aqui um verso de Ramos Rosa: “Não posso adiar o amor para outro século”.

8.1. As cartas escritas por António são apaixonadíssimas. Aqui se transcrevem algumas das fórmulas iniciais, que, de certo modo, atestam essa mesma paixão: “Meu querido amor”, com noventa e quatro ocorrências; “Minha jóia querida”, repetida em quarenta e cinco missivas”; “Minha querida jóia”, surge quarenta e uma vez; para “Meu amor querido”, contamos vinte e seis; e “Meu amor” é utilizada em quinze cartas. Porém, o trabalho de joalheiro vai mais longe, utilizando ainda as fórmulas seguintes: “Minha jóia”, “Minha jóia adorada”, “Minha querida jóia linda”, “Minha amada jóia”, “Minha jóia preciosa e querida”, “Minha jóia zangada”, etc.
Ainda no âmbito destes começos, note-se o emprego de “Minha linda senhora” e também “Minha alma amada”, que, ainda que este amor se alimente de carne, remete para códigos amorosos antigos que o autor conhece bem e que não utilizará por acaso. Nomeadamente a fórmula “Minha alma amada”, que configura uma identidade espiritual plena entre os dois amantes. Maria José é o primeiro leitor de António e este confere grande importância à sua opinião. Devido à separação, Melo Antunes também há-de ler excertos, em primeira-mão, e dar alguns conselhos ao jovem escritor.
Como todos os casais, mesmo à distância, os “amuos” também acontecem, ainda que para António sejam sol de pouca dura. Diz o que tem a dizer, directa e incisivamente, e retoma a relação com a ternura de sempre. É nestes momentos que inicia as cartas com expressões diferentes das habituais: “Maria José”, “Sr.ª D. Maria José” e “Minha Senhora”´. O ciúme também não está completamente ausente, quando, numa das cartas, diz que se vive bem, em sua casa, na sua ausência. Outros exemplos poderiam ser dados.

8.2. Os finais das cerca de trezentas cartas são memoráveis e muitos deles constituem verdadeiros hinos ao amor. Outros, por sua vez, tocam-nos pelo insólito e pelo imenso humor de António. É justo que se diga, neste preciso momento, que os finais das cartas são profundamente caóticos. Há sempre uns milhões de beijos para acrescentar, um “lembra-te de mim”, mais beijos, um “GTS”, etc., que nos dão conta da profunda solidão em que vive este homem e da falta física que lhe faz a mulher amada.

8.3. Nós sabemos, de saber de experiência feito, quanto doíam as carências afectivas. Sabemos, com saber de experiência feito, com se iludia essa dor. Sabemos, com saber de experiência feito, a quanta sordidez nos obrigou a guerra. Houve outros Antónios, mas deve ser aqui transcrito este testemunho: “ As minhas saudades tuas são imensas. É tão triste esta longuíssima separação” (carta de 10.5.71) e diz-lhe imediatamente: “Com nenhuma mulher dormirei senão contigo, a mãe do Toino – ou da Zézinha. Milhões de beijos /.../” (carta de 10.5.71). E no entanto, este homem morre de desejo: “Coloco o meu pénis na forquilha do teu corpo” (carta de 20.1.71) e remata esta carta com ” Milhões e milhões de saudades apaixonadas, de beijos, de festas, de carícias e de abraços/.../”.
Dias depois, com os sentidos já na ordem, se é que pode falar assim, escreve: “ o teu Van Gogh (tinha tido um problema numa orelha) adora-te, minha gazelinha adorada, meu diamante querido, minha pérola e minha estrela” (carta de 21.1.71); todavia, o seu amor nunca deixa de ser superlativo: “Gosto tanto tanto tanto de ti” (carta de 27.1.71). Alguns dias depois, o desejo voltava: “Eu queria tanto voltar a ver-te! Deves estar, com certeza, cada vez mais bonita. E gorda. E barriguda. Apetece-me tanto deitar-me em cima de ti e penetrar-te” (carta de 1.2.71). Passados alguns meses, já próximo do primeiro reencontro, escreve: “Hoje tenho andado com uma terrível vontade sexual. Prepara-te para coitos homéricos” (carta de 13.7.71) e num dos aerogramas seguintes reitera:” Gosto tudo de ti, meu amor querido. E prepara-te para tetraquotidianos combates singulares” (carta de 20.7.71).
Mais palavras para quê?

9. A escrita é a obsessão das obsessões de António Lobo Antunes, que também é, como havemos de ver mais tarde, um grande devorador de livros. Não dissemos grande leitor, propositadamente, ainda que do seu currículo conste uma plêiade de autores de narrativas, que começa com Homero, no séc.VIII a.C. e chega aos seus contemporâneos, estrangeiros e nacionais. Há neste homem um dado relevante: é detentor de uma memória prodigiosa, uma memória onde tudo se inscreve e nada se apaga. Tem, na verdade, uma memória de elefante.

9.1. Antes de avançarmos neste ponto que denominamos a obsessão das obsessões, queremos aqui realçar o facto de Lobo Antunes ter deixado manuscritos em Portugal, os quais manda destruir a Maria José, na carta de 27.3.71. E diz mesmo que ficaria muito zangado, se, porventura, encontrasse as suas “historietas miseráveis”, quando viesse a Portugal. Mas quem tem acompanhado a vida do autor, sabe que escreveu desde sempre. Pelo menos, é essa a ideia que deixa passar em todas as entrevistas, quando perguntado sobre o assunto. E as cartas reiteram definitivamente essa ideia, e, outra ainda, a da escrita como trabalho oficinal. Atente-se nas próprias palavras do autor acerca do Voo: “ O problema tem sido reduzir a minha prosa a uma simplicidade bem legível. Cortar o pescoço à eloquência”, Chiúme, 7.6.71. Eloquente!

9.2. A escrita é o oxigénio de Lobo Antunes. Parece predestinado para escrever livros e daí que, no interior da própria família, o olhem diferentemente. As palavras do próprio autor: “No fundo agrada-me que assim seja, sempre gostei muito do amor, sobretudo do que eles têm por mim, que, não sei se já reparaste, é diferente do que sentem pelos meus irmãos, porque eles têm a sensação de que possuo qualquer coisa de irresponsável e imprevisível e de que farei um dia algo de heróico e de louco e de sublime, que eles não sabem bem o que será mas que os mantém em suspense”, carta de 12.4.71. E curiosamente, esta é uma das poucas missivas em que não fala da “história” ou histórias, tanto faz.

9.3. A inscrição da sua escrita, nesta grande narrativa epistolar, é iniciada com uma intenção: ”Qualquer dia recomeço a escrever (carta de 29.1.71)” e dois dias depois avisa:”/.../começo, de novo, a pensar no livro/.../”. Na carta de 7.2.71, escreve: “ Começo a assentar e a serenar. Comecei, talvez por isso, e a escrever um novo Dilúvio /.../ “Na missiva de 11.2.7, assegura: “ A história cá se vai fazendo com o pouco tempo que para ela tenho, com facilidade e sem muletas.”; para asseverar, cinco dias depois: “ A minha história lá avança entretanto, e parece-me genial...". A 24 de Fevereiro, afirma: “/.../ Tenho avançado o Dilúvio contra ventos e marés, e espero tê-lo pronto e genial antes das férias.” Apesar do tom optimista em que se expressa; nota-se já, todavia, que algo não vai inteiramente bem com este livro, que trazia iniciado de Lisboa e que há-de abandonar.

9.4. Na carta de 13.3.71, António, eufórico, revela a Maria José: “Ontem passou-me uma coisa pela cabeça e comecei a escrever uma história completamente nova, com uma facilidade incrível. É uma coisa que me tem entusiasmado para lá de todas as palavras, e que excede, mesmo, tudo quanto me julgava capaz de fazer”. E não se cansa de tecer elogios ao seu novo projecto, que conta ainda apenas com dez páginas, mas que será um romance “assombroso” e o mais “revolucionário” de todos os que já lera. E assevera que não está “a ser pedante, nem aldrabão, nem exagerado”. É o dia triunfal de Lobo Antunes que, de resto, já era um velho conhecido de Fernando António e conhecia a génese dos heterónimos.

9.5. É verdadeiramente impressionante a quantidade de autores que, aos vinte e oito anos de idade, António já tinha lido e sobre os quais se permite emitir juízos de valor. Conhece os autores sul-americanos fundamentais, que se expressam em português e espanhol. E, apesar da “sua tenra idade” e da ausência de obra publicada, olha-os de cima para baixo (é assim que quero dizer). Gabriel Garcia Marquez, e, sobretudo, Cem Anos de Solidão, Carlos Fuentes e Cortázar, são dos raros autores, do subcontinente, que se salvam da mira sempre muito crítica do futuro autor de A Morte de Carlos Gardel.

9.6. Os franceses, que conhece abundantemente, passam sem grandes críticas. La Chute de Camus é uma coisa bem escrita. A Peste, lida aos dezasseis anos, era uma coisa extraordinária; mas aos vinte e oito, já era maçadora. De resto, parece não apreciar muito a literatura solar de Camus. Nem uma só referência a O Estrangeiro. André Gide, o esteta, é referido várias vezes, mas sem adjectivos. Copia-lhe o método do caderninho. Acusa Balzac “pela cristalização do romance”. Conhece o antiquíssimo Cyrano de Bergerac. Mostra grande interesse pela Shafo de Alphonse Daudet e lê Samuel Beckett. Quem exerce, no entanto, um grande fascínio sobre o jovem escritor é Céline, que chega a considerar o maior, ainda que determinados juízos de valor reflictam muito o estado de alma do momento em que são formulados.
Ainda uma pequena nota referente à língua francesa. António revela um grande conhecimento da língua – e não será desapropriado dizê-lo – um certo gozo em utilizar expressões da língua de Victor Hugo, ora para valorizar a beleza de Maria José, ora para dizer quanto detestava aquela situação que lhe roubava dois anos da sua vida. Aqui fica o registo de algumas expressões francesas:”tristesse”, “três hasardeux”, “à la longue”, “soyons heureux”, “à en mourir”, “environement”, “refaire une beauté”, “je m’en fiche”, je deteste ça”, etc.

9.7. Quanto aos espanhóis da península, Lobo Antunes não dá conta dos seus conhecimentos. Trata familiarmente Don Miguel de Unamuno, atribui um verso de Lorca a Rosalía de Castro e faz uma referência elogiosa a Jorge Semprún, que lhe foi revelado por Melo Antunes.

9.8. Ainda no que concerne a autores estrangeiros da sua predilecção, para além dos sul-americanos já anteriormente referidos, avultam Joyce e Faulkner. Do primeiro diz: “ /.../ o melhor do mundo é James Joyce” (carta de 7.7.71) e quer o seu retrato, na “nossa casinha”, em lugar de destaque. Em relação a Faulkner, diz que gostaria de ter escrito todos os seus livros. E na mesma carta (Carta de 23.2.72), numa condusão propositadamente torrencial e incoerente e por metonímia, refere Hemingway e Stendhal e Flaubert e e Thomas Mann, etc. e depois lembra-se de Tolstoi, “que é o maior de todos”. Outros autores são citados: Franz Kafka, Gunther Grass, Truman Capote, etc. E talvez seja justo dizer, neste ponto, que, apesar das nossas omissões, a carta de 23.2.72, escrita na Marimba, fixa a árvore genealógica de António Lobo Antunes.

9.9. Era espectável que António Lobo Antunes nos desse mais notícias de autores portugueses. Afirma, curiosamente, que os três maiores escritores portugueses são Camões, Pessoa e Bocage. Deste último lamenta o facto de não o conhecer tão bem como devia. E de andar associado ao anedotário.
Lê ensaios de Jorge de Sena, contos de Almada, romances de Namora e descasca em O’Neill. Acerca da obra deste último, As andorinhas não têm restaurante, diz tratar-se de uma série de prosas sem categoria nenhuma, /.../ Qualquer coisa de fotonovela e nem um cheiro daquela atmosfera russa indefinível/.../, que eu tanto gosto de respirar” (carta de 27.2.71).
Acha que Soeiro Pereira Gomes seguiu demasiado Os Capitães da Areia de Jorge Amado, na Engrenagem; contudo, tece rasgados elogios ao neo-realismo, por ter dado voz ao país real. De Redol lê A Barca dos Sete Lemos e não faz quaisquer comentários.
Não é natural, em nossa humílima opinião, que o futuro autor do Esplendor de Portugal, se tenha esquecido dos grandes novelistas portugueses de oitocentos: Garrett, Camilo e Eça. E ainda de nomes do séc. XX como José Cardoso Pires e Agustina Bessa Luís.
É estranho, não é?

10. António Lobo Antunes revela uma grande sensibilidade pelas questões de natureza antropológica. Ao longo das cartas são abundantes os seus testemunhos, quer no que toca ao modo de organização das populações, à volta dos chefes tribais; quer no que concerne às suas crenças e práticas ancestrais. Não sendo um documento insubstituível ou sequer de referência, as cartas revelam aquele que numa delas se despede como “marido, pai e escritor”, como um homem de grande sensibilidade e de cultura.

10.1. Os merengues, que também servem para avisar os guerrilheiros ( para Lobo Antunes ainda são terroristas) da saída das tropas, “são fabulosos de ritmo e de beleza selvagem. Ao centro, um grupo de homens percute os tambores, e a malta dança de roda, velhos e novos, mulheres com filhos às costas, etc., mexendo-se com uma espantosa facilidade e um ritmo extraordinário, cantando ao mesmo tempo uma melopeia estranhíssima” (carta de 15.2.71).
Ainda que desde sempre “o tricotar subterrâneo” da escrita o tenha absorvido, António é por formação um homem de ciência, mas nem por isso deixa de assistir a certas cerimónias autóctones: “Hoje, domingo, passei a manhã, numa cerimónia curiosa, a assistir è esconjuração de uma doente, para que a doença saísse de dentro dela” e mais à frente: “três homens tocavam tambor e a malta dançava e cantava à volta/.../” (carta de 7.3.71).
Porém, nem todas as práticas eram benfazejas: “Ontem, em consequência de uma feitiçaria, amarraram uma velha a um quimbo e queimaram-na viva no Ninda, rito ainda frequente nestas paragens”(carta de 24.3.71).

10.2. A sexualidade é um daqueles temas que nunca lhe poderia passar ao lado. E a sua condição de médico, permitia-lhe um conhecimento provavelmente vedado a outros: “/.../ os casos impotência masculina são frequentíssimos, e todos os dias oiço tristes queixas de machos desiludidos, exibindo pénis formidáveis e inúteis” (carta de 12.3.71).
Constata que “ Não existe homossexualidade, a não ser numas vagas ligações helénicas entre velhos e miúdos, que se desfazem com a puberdade destes. O beijo é ignorado, as carícias também, e a fornicação faz-se de lado, numa imobilidade de preguiça, durante horas, sem se tocarem, numa indiferença absoluta” (carta de 2.4.71).
A desfloração de uma garota nativa por um coxo grotesco, é assim descrita:” Um coxo/.../ foi-se a uma garota de uns nove anos e, como eles dizem, «tirou-lhe o cabaço»: em vez de oito anos de prisão maior celular., a malta teve uma alegria enorme. Seguem-se oito dias de batuque”.

11. Luanda e os luandenses brancos não mereceram a simpatia do futuro grande escritor. A capital de Angola perpassa pelos olhos do artista como “uma espécie de Areeiro de província, com o mesmo pretensioso gosto suburbano/.../” e os seus habitantes brancos “/.../têm o mesmo indefinível aspecto de vendedores de automóveis/.../” dos da Metrópole. As mulheres são “/.../ tipo locutoras de rádio, demasiado bem vestidas para serem inteiramente honestas.”Nesta carta, a de 16.1.71, fala-nos ainda do Grafanil, que era o grande entreposto humano e mercantil que alimentava toda a guerra, naquele imenso território. Estas eram apenas as primeiras impressões.
Na carta de 21.3.71, Luanda volta a estar sob a mira do artista. Sente-se irritado com a vida da capital, onde nada falta e a fazer fé nas revistas, que publicam as fotografias, há “bailes” e “festas” e “eleições de misses”, enquanto lá longe, nos perímetros dos aquartelamentos, os militares sofrem por todos aqueles que se divertem e os olham com desdém. Mas apesar de não querer pormenorizar por razões óbvias, não deixa de afirmar: “/.../ os brancos locais, sobretudo os das cidades, são de um tipo novo-riquismo saloio e soberbo, verdadeiramente insuportável.” Em suma, são gente “execrável”, que não merece as potencialidades de Angola e aponta-os como ”os descendentes dos degredados”.

12. As notações meteorológicas de Lobo Antunes, para além de fidedignas, dão-nos também “uma visão de artista”. Na curta estada em Luanda e na companhia de outros militares, visita a ilha, mas percebe-se que não gosta do que vê e descobre que “O céu nunca é azul mas maciço, grosso, espesso, triste (carta de 17.1.71). Luanda é apenas uma escala a caminho do Leste. Já em Gago Coutinho, vejamos como o autor descreve as grandes chuvadas: “/.../ têm caído aqui chuvadas gigantescas; em cinco minutos fica tudo alagado de charcos e poças imensas, /.../ as trovoadas, fantásticas de intensidade, desabam em cima de nós numa cadência de Apocalipse” (carta de 31.1.71).
A estação das chuvas vai cessar. Aproxima-se o tempo do cacimbo. As palavras do autor: “O calor tem sido, nestes últimos dias, diabólico, e o céu permanece imperturbável. É o início do cacimbo, mas as noites frias ainda não começaram” (carta de 12.3.71). Está-se, com efeito, num período de transição. Precava-se o leitor, que a coisa vem em crescendo: “ontem à noite desabou aqui uma tempestade imensa, a maior a que até agora assisti, com relâmpagos a caírem por todos os lados, numa sucessão ininterrupta, e os trovões a rebolarem num ruído enorme /.../ “ Mas ainda não era tudo. As trovoadas em Angola, às quais também assistimos, eram fenómenos excepcionais. De novo as palavras do autor das cartas: “Tudo tremia e oscilava. Os raios eram tantos que parecia dia /.../, as casas saíam do escuro numa claridade ofuscante, e o som da água era verdadeiramente ensurdecedor”(carta de 8.8.71). Poderíamos transcrever outros excertos, igualmente realistas e belos, porque as notações de ordem climatérica são abundantes, nestas que também serão, com toda a certeza, comoventes cartas de amor. Cada leitor que tenha passado por Angola, pela imensidão do espaço e da noite, na época das chuvas, sabe que a forma de dizer é a de um artista da palavra, mas a matéria substantiva já está ali toda.

13. Há um só aspecto nestas cartas – e por que não dizer uma linha de força -, que nos chocou do princípio ao fim: a relação de António com o dinheiro e as restantes coisas materiais. Sabemos que era casado e que contraíra determinadas responsabilidades, mas também sabemos que a sua família vivia muito acima da média das famílias daqueles soldados - e até muitos graduados - , que nada tinham e que por isso mesmo viam na tropa uma forma de fugir a quotidianos ainda mais pobres. E que o seu vencimento de alferes e os dinheiros recebidos do exercício da sua profissão junto das comunidades locais, formavam uma massa monetária verdadeiramente invejável.
António conta os tostões um a um e sabe a totalidade do dinheiro que já enviou, que irá receber, aquele com que fica e ainda amealha, para depois comprar um carrinho e outras coisas. Compra arte indígena, feita por encomenda, mas confessa depois que tinha gasto uma ridicularia de angolares.
Ainda neste capítulo, e porque também revela uma personalidade, destaque-se o envio de uísques e outras bebidas por diversos portadores. António não bebe, mas sabe que o material é bom e que a compra é um bom negócio.

por Manuel Barata

em Cantinho da Poesia

12.01.2006